Pulmão: nova opção aprovada, mas só para um grupo bem específico
A ANVISA aprovou o Datroway para câncer de pulmão avançado — vale apenas para quem tem a alteração EGFR no tumor e já passou por outros dois tipos de tratamento. É uma notícia boa para poucos, e vale entender se você está entre eles antes de criar expectativa.
Vamos começar por onde normalmente se termina, porque aqui isso importa mais: esta aprovação vale para um grupo pequeno de pessoas. Se você tem câncer de pulmão, é bem possível que ela não seja sobre o seu caso — e é melhor saber disso agora do que depois de uma semana de esperança.
A ANVISA aprovou o Datroway (datopotamabe deruxtecana) para câncer de pulmão avançado ou que se espalhou. A decisão saiu no Diário Oficial em 27 de julho de 2026.
Ela se aplica a quem cumpre as três condições ao mesmo tempo:
- O tumor tem a alteração chamada EGFR — algo que só aparece em um exame específico do tecido do tumor;
- A pessoa já fez tratamento dirigido a essa alteração (a chamada terapia anti-EGFR);
- E já fez também quimioterapia com platina.
Ou seja: é uma opção para depois que outros caminhos já foram tentados. Por isso os médicos chamam de “terceira linha”.
Se você não sabe se tem a alteração EGFR
Essa é uma pergunta legítima e simples de fazer na consulta: “o meu tumor foi testado para alterações genéticas? Qual foi o resultado?” Esse exame não é feito em todo mundo automaticamente, e ele muda as opções disponíveis. Não é um pedido fora de lugar — é informação sobre o seu próprio caso.
E a disponibilidade
Como sempre, vale separar as coisas: a ANVISA liberou o uso no Brasil. Isso não significa que o preço já foi definido, que o SUS oferece, ou que o plano cobre. Nada disso aconteceu até agora para esta indicação.
O câncer de pulmão é um dos mais comuns no Brasil, e cada nova opção conta — mesmo quando ela chega para poucos.